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  • Dra. Maria Luísa Nunes da Cunha

Redes sociais para clínicas de saúde: como usar sem infringir a Lei

Atualizado: Nov 10

A internet e as redes sociais mudaram a forma como profissionais e empresas de todos os segmentos se relacionam com seus clientes. E na área da saúde não é diferente.


Com um bom uso desses recursos virtuais, hoje as clínicas, consultórios, laboratórios e hospitais podem:

  • Criar relacionamentos mais próximos e frequentes com seus pacientes, fidelizando e gerando mais retornos.

  • Dar mais visibilidade à marca.

  • Conquistar novos pacientes.

  • Melhorar seu posicionamento e ganhar autoridade dentro de seu segmento.

Os benefícios do marketing digital para empresas da saúde são inúmeros!


Ao mesmo tempo, esse segmento precisa observar as diretrizes impostas pela Lei e pelos conselhos médicos em relação ao marketing e à publicidade, sob pena de sofrerem sanções ou processos disciplinares.


Mas como clínicas e profissionais de saúde podem usar as redes sociais – obtendo todos os seus benefícios – sem infringir a Lei?


É o que você vai conferir nos próximos parágrafos deste artigo. Acompanhe!


Práticas a serem evitadas em redes sociais para clínicas de saúde


A primeira coisa a se considerar, quando falamos em redes sociais para clínicas de saúde, é ter muito clara a noção de que a publicidade médica deve ter um caráter informativo, não mercantil.


Uma das premissas do Conselho Federal de Medicina (CFM), deixada clara no Art. 9 do Código de Ética Médica, é de que “a medicina não pode, em qualquer circunstância ou de qualquer forma, ser exercida como comércio”.


Portanto, qualquer conteúdo postado nas redes sociais da clínica ou do profissional de saúde, que configure a oferta ou a venda de produtos ou serviços vai contra a ética médica estabelecida e pode ser passível de punições.


Clínicas, consultórios, laboratórios e hospitais são espaços de promoção da saúde, e as informações compartilhadas em seu marketing devem transparecer isso.


Além da ideia da venda e da comercialização da saúde, as seguintes práticas também devem ser evitadas em perfis de redes sociais de clínicas e profissionais da saúde:

  • Divulgação de tratamentos não autorizados pelo CFM ou que não estejam relacionados à especialidade do profissional.

  • Imagens que apresentem a ideia de “antes x depois” de pacientes.

  • Quebra de sigilo do paciente em textos, imagens ou vídeos (exceto com sua expressa autorização).

  • Prometer resultados ou fazer sensacionalismo (ainda que indiretamente), em postagens que omitam riscos ou sugiram “garantia de satisfação”.

  • Formar ou promover vínculos comerciais com marcas, fornecedores de equipamentos e empresas farmacêuticas.

  • Promover a prática de sorteios (próprios ou de terceiros).

  • Divulgar e aplicar promoções, descontos ou mesmo atendimentos gratuitos.

  • Realizar consultas, diagnósticos e prescrições por meio das redes sociais (diferente da modalidade formal de teleatendimento).


Se você quer conhecer todas as regras do Conselho Federal de Medicina, relacionadas à publicidade médica, baixe a Resolução CFM 1974/11 neste link!


Como clínicas de saúde podem usar redes sociais sem infringir a Lei


Apesar de todas essas restrições impostas à atuação das clínicas nas redes sociais, é possível conseguir grandes resultados com seu marketing médico, tendo criatividade e as informações certas.


Confira abaixo uma lista de boas práticas que você pode adotar para extrair o máximo de suas redes sociais, agradando seu público e respeitando as regras do setor.


1. Tenha dois perfis


Nossa primeira dica é principalmente para médicos e demais profissionais da saúde.


Apesar de não haver qualquer restrição quanto a mostrar, nas redes sociais, momentos de sua vida pessoal, social ou familiar, caso você queira se sentir mais despreocupado em relação às suas postagens e seus posicionamentos pessoais, pode ser uma boa prática ter dois perfis: um pessoal e outro profissional.


Com isso, você pode se sentir mais à vontade com relação aos conteúdos compartilhados enquanto pessoa comum – inclusive com a possibilidade restringir o acesso ao seu perfil – e, por outro lado, ter um perfil profissional, no qual você poste conteúdos especificamente relacionados à sua atuação médica e informações de saúde.


2. Mostre suas qualificações


Muitos médicos e profissionais de saúde têm receio de divulgar suas qualificações e credenciais, para que isso não seja visto como uma prática de autopromoção.


Nas regras de publicidade médica, não há qualquer restrição a que esses profissionais mostrem publicamente sua formação, experiências e sua trajetória dentro de sua carreira.


Inclusive, do ponto de vista do marketing, pode ser uma ação bastante interessante, no sentido de gerar mais autoridade e confiança junto aos pacientes. Afinal, em se tratando da vida e da saúde, faz toda diferença saber que estamos nos colocando (ou colocando nossa família) nas mãos de um profissional qualificado e experiente.


Algumas sugestões:

  • Coloque seu registro no CRM ou demais conselhos na Bio do seu Instagram. Isso vai gerar mais credibilidade para seu perfil.

  • Participou de um congresso ou evento profissional? Compartilhe esse momento com seus seguidores. Isso traz mais autoridade profissional e ainda gera conexão com seu público.

  • Sempre que fizer sentido, inclua em se us conteúdos um pouco de sua trajetória profissional e o caminho que você trilhou para se tornar o profissional que é hoje. Não há nenhuma restrição legal a isso, e as pessoas gostam muito desse tipo conteúdo mais emocional.


👉 Apenas tome cuidado para que isso não seja feito de forma apelativa ou passando a ideia de que o profissional é “o melhor” ou que garante “os melhores resultados”.


3. Oriente sem prescrever


Outra forma de usar as redes sociais sem infringir a Lei é sua clínica orientar os pacientes sobre como ter uma vida saudável e ou com informações que tenham, como finalidade, uma melhor qualidade de vida.


O grande segredo aqui é evitar que esse tipo de postagem assuma um caráter de prescrição, seja de medicamentos ou de práticas médicas mais específicas.


Para isso, não é preciso se limitar a orientações genéricas e evasivas. É possível, por exemplo:

  • Orientar sobre sinais e sintomas de doenças, que sirvam de alerta para o paciente buscar ajuda médica.

  • Listar mitos e verdades sobre questões relacionadas à saúde.

  • Trazer novidades, pesquisas e descobertas do seu segmento.

  • Alertar sobre os riscos da automedicação.


4. Compartilhar conteúdos embasados cientificamente


Outro dica para o uso das redes sociais por clínicas, consultórios, laboratórios e hospitais é o compartilhamento de informações médicas somente quando elas forem embasadas cientificamente.


Por mais que exista o princípio da “autonomia médica”, é fundamental que os profissionais e as empresas da área da saúde evitem compartilhar conteúdos e opiniões controversas, procedimentos experimentais ou que ainda não sejam reconhecidos pelas sociedades médicas como práticas cientificamente comprovadas.


O mesmo vale para medicamentos e substâncias que ainda não tenham sido aprovadas pelas autoridades sanitárias do Brasil.


5. Fazer o uso de linguagem acessível


Por mais que a área da saúde seja repleta de termos técnicos, científicos e, muitas vezes, complexos, se sua clínica deseja atingir um público cada vez maior, gerando mais relacionamento e engajamento em suas redes sociais, é fundamental que seus conteúdos tenham sempre uma linguagem acessível e fácil de ser compreendida por qualquer pessoa.


Existe um conceito no marketing que é a “maldição do conhecimento”. Segundo esse princípio, é comum que profissionais de áreas específicas – especialmente as mais técnicas – tendam a usar a linguagem típica de sua área de atuação, quase como se estivessem falando para seus colegas de profissão.


Para evitar isso e fazer suas redes sociais terem mais audiência, engajamento, seguidores – gerando mais agendamentos – pense sempre que você está falando com um paciente em seu consultório, que não conhece os termos de sua profissão.


👉 Não se preocupe que isso não fará sua linguagem ser vista como superficial ou tecnicamente incorreta. Pelo contrário, com o olhar certo e com mais empatia, é possível abordar qualquer aspecto médico de um jeito que seu paciente entenda e, principalmente, aproveite muito mais as informações que sua clínica está compartilhando.


Conheça as 5 infrações de ética médica mais comuns no exercício da profissão e veja os cuidados necessários para evitá-las!


SPNC Advogados Associados


Com as dicas deste artigo, sua clínica, consultório, laboratório ou hospital, certamente poderão fazer um excelente trabalho nas redes sociais, promovendo saúde e informação de qualidade, sem infringir a Lei.


O escritório Santos Perego e Nunes da Cunha Advogados Associados atua em total sintonia com o que acontece no mundo, para acompanhar as mais variadas demandas jurídicas, nos apoiando na experiência do passado, mas com o olhar no futuro.


Se você ainda tem dúvidas relacionadas ao tema deste conteúdo ou outras questões mais específicas, pode falar conosco acessando o link abaixo!


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